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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Rosa

A Rosa sempre pensou que o que mais lhe faria feliz nessa vida era ser invisível. Sempre acreditou que passar despercebida pelos lugares era o que mais queria. Ela lutou com pétalas e espinhos para que um dia, finalmente, pudesse ser invisível. Bom, ela tanto fez, que conseguiu.
Infelizmente, ou felizmente, quando a Rosa percebeu que não era notada quase nunca, descobriu que na verdade aquilo não era muito bom. Ao mesmo tempo em que a Rosa se tornou imperceptível aos olhos dos desconhecidos que por ela passavam, também seus amigos, colegas e conhecidos começaram a ignorar sua existência. O vermelho cor de sangue de suas pétalas macias foi substituído por um bege pálido e sem graça. As pétalas não deixaram de ser macias e cheirosas, mas ninguém notou. Ninguém chegava perto suficiente para perceber a beleza da Rosa, que outrora chamava a atenção de muitos. Se de perto ninguém é normal, de longe ninguém é alguém. 
Por fim, a Rosa concluiu que a verdade é que nunca quis ser invisível. Só queria que lhe aceitassem da maneira que era, que não lhe julgassem as atitudes, e que amassem também os seus defeitos. Naquela altura, a Rosa estava sozinha em seu próprio mundo sem cor. No entanto, digo que essa história termina bem, ou melhor, não termina. 

Quando a Rosa estava quase perdendo as esperanças que um dia encontraria alguém que lhe ajudasse, eis que surge uma bonita garota. Tudo nela era azul: os olhos, o vestido e o laço que lhe enfeitava os cabelos loiros. Seu nome era Alice, e ela trazia consigo, dentro de seu avental, um pincel e um potinho de tinta vermelha.
Fim.

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5 comentários:

  1. Texto lindo! Metáforas maravilhosas, adorei :)

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  2. Falaste de um jeito tão subtendido e tão bonito. Adorei.

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  3. Simplesmente L-I-N-D-O esse texto!
    petalasdeliberdade.blogspot.com

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  4. "Nós vamos pintar assim, as rosas cor de carmim ♫" . Adorei o conto Gi, sério mesmo! Acredito que foi um dos melhores que já li por aqui, e saiba que adoro tudo que você escreve. No fundo, ninguém quer ser invisível, queremos, na verdade, aceitação e respeito, puros e simples. Como você escreveu nesse texto "Se de perto ninguém é normal, de longe ninguém é alguém.
    Por fim, a Rosa concluiu que a verdade é que nunca quis ser invisível. Só queria que lhe aceitassem da maneira que era, que não lhe julgassem as atitudes, e que amassem também os seus defeitos" - acredito que na verdade, são nossos defeitos que nos diferenciam! Por exemplo, há um milhão de pessoas com olhos azuis e que são sorridentes e de bem com a vida, mas o que diferencia pessoa X é uma cicatriz na sobrancelha esquerda e o mau humor de manhã. Se é que meu exemplo coube bem... HSUHUSDUDS

    Beijos ;*

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  5. Estou apaixonada pelo blog e por as palavras que aqui estão.Parabéns.Quando der de uma passadinha no meu,de sua sugestão,muito me irá agradar.

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